Doces e Licores Conventuais

Edição Especial

EDIÇÃO ESPECIAL DOCES & LICORES CONVENTUAIS 2020

 

Estimular a nossa economia em tempo de pandemia

 

 

Perante as contingências relacionadas com a pandemia do Covid-19, a Câmara Municipal de Alcobaça irá realizar, de 26 de novembro a 1 de dezembro, uma “Edição Especial Doces & Licores Conventuais” – nas casas alcobacenses com tradição na Mostra.

Será a 22ª edição, desta vez num formato bem diferente, do evento maior projeção do concelho de Alcobaça que celebra aquela que é uma das marcas identitárias mais próximas do coração dos alcobacenses.

Assim, como forma de manter o espírito do evento bem vivo e não perder esta dinâmica empresarial e turística, o Município de Alcobaça associou-se às casas do concelho com maior tradição e presença regular na mostra que irão proporcionar um conjunto de novidades e ofertas especiais (nas próprias casas), durante os dias do evento.

“Em tempo de pandemia, todos os incentivos à atividade económica, particularmente este sector carismático e muito próximo da identidade do concelho, são necessários. A Câmara Municipal quer ajudar de forma simbólica, apelando aos munícipes para o consumo destes produtos numa lógica de apoio à economia local”, explica o Presidente da Câmara Municipal.

 

ORGANIZAÇÃO

Câmara Municipal de Alcobaça

 

PARCEIROS

ACSIA - Associação Comercial, de Serviços e Industrial de Alcobaça e Região de Leiria

Direção-Geral do Património Cultural

Mosteiro de Alcobaça

Turismo Centro de Portugal

 

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Porque é que os Doces e Licores Conventuais estão tão próximos da identidade alcobacense?

António Valério Maduro

 

 

A valorização das identidades e culturas alimentares entrou definitivamente na ordem do dia. O turismo gastronómico e o enoturismo tornaram-se alavancas do desenvolvimento local e regional. Nesta linha de entendimento, salvaguardar a identidade cultural implica garantir a autenticidade da herança evitando o efeito perverso do fenómeno artificial da turistificação.

 

Alcobaça cresceu à sombra do mosteiro e a longa duração dos monges brancos no território deixou marcas culturais profundas, um património material e imaterial singular que cumpre valorizar e potenciar.

 

Os mosteiros cistercienses estão associados à criação de vinhos, destilados e licores. Em Alcobaça produziam-se vinhos brancos, vermelhos, vinhos de feitoria e aromatizados, nomeadamente com mel, licores (nomeadamente de ginja) e destilados. Destacam-se os vinhos das encostas de Aljubarrota que, como os demais, recebiam arrobe (geleia de mosto), produto que ajudava a elevar o grau alcoólico e a conservação, para além de os adoçar e maçãs camoesas que os frutavam. Os vinhos podiam ser confecionados com anis, rosmaninho ou absinto, fervidos com canela, cravo, noz-moscada, pimenta, receber almíscar e âmbar. Os vinhos melhorados (vermutes) tinham consumo em festas e banquetes.

 

A produção de doces e geleias de frutas era entregue pelo mosteiro a doceiras da região. Doces de laranja, cidrão, pêssego, abóbora e figo eram os mais requisitados. William Beckford, o excêntrico aristocrata inglês que visita o mosteiro em 1794, menciona a fruta escorrida que designa por “candied apricots and oranges”. A pera e a abóbora coberta (em calda de açúcar) também entram no consumo festivo.

 

O arroz doce e o manjar branco são presenças regulares nas festividades litúrgicas (na 5ª Feira Santa, na consoada de véspera de S. Bernardo) e no serviço da hospedaria. O manjar de língua de vaca também é mencionado na documentação monástica. A importação dos designados actualmente por doces conventuais trazia ao mosteiro os bolos de Almoster e as morcelas de Arouca.

 

Julia Pardoe, uma visitante ilustrada oitocentista, refere que a comunidade se notabilizava pela produção de tortas, doces e confeitos. Já o historiador Tito Larcher destaca as queijadas do Bárrio, as tortas de Aljubarrota, os esses de Alcobaça e o pão de ló de Alfeizerão, mencionando o autor, que este fabrico tinha a mão das monjas do mosteiro feminino de Cós.

 

A tradição doceira dos antigos coutos cistercienses é aliás convocada na receção aos participantes do IV Congresso de Turismo (1911) que visitaram a região de Alcobaça. Os congressistas deleitaram-se com as queijadas do Bárrio, o pão de ló de Alfeizerão e o arroz doce de Alcobaça, ou seja, tudo o que de melhor tinha para oferecer a tradição da doçaria conventual segundo notícia da imprensa.

 

A faculdade da apropriação da herança abre igualmente caminho à criatividade e inovação caminho que os pasteleiros alcobacenses têm trilhado com inegável mestria.

 

 

 

 

 

 

  • Participantes
  • Prémios ao longo dos últimos sete anos

PROGRAMAÇÃO