Doces e Licores Conventuais

Edição Especial

ESPECIAL DOCES & LICORES CONVENTUAIS 2021

 

A Câmara Municipal de Alcobaça e a ACSIA - Associação Comercial, de Serviços e Industrial de Alcobaça e Região de Leiria realizam, de 18 a 21 de novembro uma “Edição Especial Doces & Licores Conventuais – nas casas alcobacenses com tradição na Mostra”.

 

São várias as casas e pastelarias do concelho de Alcobaça que conservam a tradição e o receituário dos Doces e Licores Conventuais dos Mosteiros de Alcobaça e de Coz. Esta será mais uma edição especial da Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais, ainda adaptada ao contexto pós-pandémico, do evento com maior projeção do concelho de Alcobaça que preserva e promove uma das marcas identitárias mais próximas do coração dos alcobacenses.

 

À semelhança do ano passado, serão distribuídos vales de desconto, em instituições sociais, educativas, de saúde e de segurança, no valor de 5 euros, que poderão ser utilizados nos estabelecimentos participantes, casas com tradição na Mostra, durante os quatro dias desta edição, uma forma de promover este setor tão importante na economia do território alcobacense.

 

 

 

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Porque é que os Doces e Licores Conventuais estão tão próximos da identidade alcobacense?

António Valério Maduro

 

 

A valorização das identidades e culturas alimentares entrou definitivamente na ordem do dia. O turismo gastronómico e o enoturismo tornaram-se alavancas do desenvolvimento local e regional. Nesta linha de entendimento, salvaguardar a identidade cultural implica garantir a autenticidade da herança evitando o efeito perverso do fenómeno artificial da turistificação.

 

Alcobaça cresceu à sombra do mosteiro e a longa duração dos monges brancos no território deixou marcas culturais profundas, um património material e imaterial singular que cumpre valorizar e potenciar.

 

Os mosteiros cistercienses estão associados à criação de vinhos, destilados e licores. Em Alcobaça produziam-se vinhos brancos, vermelhos, vinhos de feitoria e aromatizados, nomeadamente com mel, licores (nomeadamente de ginja) e destilados. Destacam-se os vinhos das encostas de Aljubarrota que, como os demais, recebiam arrobe (geleia de mosto), produto que ajudava a elevar o grau alcoólico e a conservação, para além de os adoçar e maçãs camoesas que os frutavam. Os vinhos podiam ser confecionados com anis, rosmaninho ou absinto, fervidos com canela, cravo, noz-moscada, pimenta, receber almíscar e âmbar. Os vinhos melhorados (vermutes) tinham consumo em festas e banquetes.

 

A produção de doces e geleias de frutas era entregue pelo mosteiro a doceiras da região. Doces de laranja, cidrão, pêssego, abóbora e figo eram os mais requisitados. William Beckford, o excêntrico aristocrata inglês que visita o mosteiro em 1794, menciona a fruta escorrida que designa por “candied apricots and oranges”. A pera e a abóbora coberta (em calda de açúcar) também entram no consumo festivo.

 

O arroz doce e o manjar branco são presenças regulares nas festividades litúrgicas (na 5ª Feira Santa, na consoada de véspera de S. Bernardo) e no serviço da hospedaria. O manjar de língua de vaca também é mencionado na documentação monástica. A importação dos designados actualmente por doces conventuais trazia ao mosteiro os bolos de Almoster e as morcelas de Arouca.

 

Julia Pardoe, uma visitante ilustrada oitocentista, refere que a comunidade se notabilizava pela produção de tortas, doces e confeitos. Já o historiador Tito Larcher destaca as queijadas do Bárrio, as tortas de Aljubarrota, os esses de Alcobaça e o pão de ló de Alfeizerão, mencionando o autor, que este fabrico tinha a mão das monjas do mosteiro feminino de Cós.

 

A tradição doceira dos antigos coutos cistercienses é aliás convocada na receção aos participantes do IV Congresso de Turismo (1911) que visitaram a região de Alcobaça. Os congressistas deleitaram-se com as queijadas do Bárrio, o pão de ló de Alfeizerão e o arroz doce de Alcobaça, ou seja, tudo o que de melhor tinha para oferecer a tradição da doçaria conventual segundo notícia da imprensa.

 

A faculdade da apropriação da herança abre igualmente caminho à criatividade e inovação caminho que os pasteleiros alcobacenses têm trilhado com inegável mestria.

 

 

 

 

 

 

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